quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A Janela da Vida

“Detesto os insetos entrando pela janela." – Disse a si mesmo o garoto com sua roupa de dormir, já rasgada pelos anos de uso.
Sentado no chão apoiado na cama rota fazendo o que mais gosta: Escrevendo. Levantou com os pés descalços e foi fechar a janela e olhou a rua, viu o mundo todo ali, em um quarteirão apenas. Com um ar de desconfiança ele reparou em tudo o que pôde, pensou que seus pensamentos jamais se encaixariam aos daqueles tantos seres distintos, mas tão comuns ao mesmo tempo, causando estranhas impressões. Não havia nele um desprezo por todas essas pessoas, havia um certo receio por todos os que viviam superficialmente.
O mundo inteiro passou em sua mente, pensamentos sobre tudo o que ocorre nas diferentes civilizações. Exausto de problemas e sua cabeça, o garoto já cansado do marasmo. Pensando que não fez nada de mal a alguém na tua vida, mas também não fez nada de bem. Tristes pensamentos de que não fez diferença alguma a vinda dele pra esse mundo, talvez o início de tudo, ou o fim... Os mistérios da vida são complexos demais pra serem descobertos, pensou ele o que seria da morte. Nostálgica tarde, pensamentos triste, ruins. Mal agouro em seu peito. As lágrimas pesando toneladas escorreram por seu rosto liso, brilhando, refletindo os holofotes do mundo e o garoto, simples sonhador e agora tão triste criança, fez desse minuto um mundo só seu, contemplando os segundos. Tratou a imagem que tão machucava seus olhos, virarem paisagem. Cansou-se de dores solitárias. Com seu sangue fervendo jurou fazer a diferença, com seus punhos cerrados socava a parede a sua frente até sangrar suas mãos e aí pareceu o começo de uma nova vida. Mas, seus sonhos distantes de sua realidade de filho de comerciantes-sem-sucesso o limita à apenas poder desejar conhecer e mudar o tudo. Toda a sabedoria do mundo ele guardava nos livros de sua estante. E todos os sonhos distantes eternizaram-se no coração do garoto. Baixando a cabeça, viveu aqueles minutos, viveu como quis. Ajoelhou e chorou e desejou a felicidade, quis correr do inferno visto pelos seus olhos e apenas pôde aqui escrever essas humildes palavras, e que elas apenas mude você, leitor. As lágrimas ainda me escorrem o rosto e meus dedos doem, a caneta toma seu rumo e se você aqui sentiu a identificação, fuja então do mundo. Existe algo melhor para nós.

2 comentários:

luisa disse...

Definitivamente um dos melhores. Fefo, por favor nunca pare de escrever não tááá?
Ficou fodástico como sempre.
Te Adoro.

Beeeijo*

pauane disse...

Um dos melhores mesmo.
=D