domingo, 30 de agosto de 2009

O Curupira Moderno

O pé no chão, frio, o nariz escorrendo, desobediente e muito esperto. Diria que é um curupira do mundo moderno. Vive na natureza, sem escrúpulos ele faz o que quer. Ele mora com os pais, um senhor de quase 90 anos e uma mãe mais nova, simples, aquelas típicas mulheres da roça, mineira e que faz uma comida sem igual. Mas voltemos ao foco, o nosso garoto curupira. O nome dele é João e com seus oito anos de pura natureza ele anda muitas vezes como veio a Terra, sem roupas no meio de todos os outros que ali habitam e têm suas casas de veraneio. O local fica perto de um rio muito conhecido, o São Francisco, vulgo Velho Chico, onde existem ranchos e chácaras em sua beira. Esse garoto e sua família moram ali, como algumas outras famílias também.
Junto com os pássaros o garoto acorda todos os dias ao brilho do sol clareando sua janela já aberta para o orvalho da madrugada refrescar seu corpo sem roupa, da mesma maneira que dorme, acorda e fica o dia inteiro. Seus pais não conseguem ter muita autoridade sobre o garoto que faz o que quer a hora que quer. Vive pegando as galinhas e os outros animais e aterrorizando seus habitats com seu jeito moleque de ser. Não tem muito convívio com outras crianças, frequenta escola, porém sem muitos amigos ele vive mais nas salas dos coordenadores e diretores do que em qualquer outro lugar. Mas não culpamos a sua falta de amigos para seu jeito de ser. Ele viveu sem regras seus 8 anos e agora o mais difícil é fazer ele seguir qualquer outra maneira de viver. Vamos dizer que ele vive como poucos nesse mundo moderno. Vive como quer, vive com a natureza e raramente o vimos doente, penso que até os vírus, bactérias e qualquer outra coisa que causa doenças leves não conseguem habitar seu corpo movimentado. Uma saúde invejável e uma liberdade são vistas em lugares como esse, que nos dias que estamos não achamos tão fácil.
Falando de liberdade podemos dizer que essa tal liberdade trouxe a ele muitos problemas, principalmente o de viver em uma sociedade “comum” e ter os ensinamentos que ma criança de sua idade deve ter. Mas o lado bom de ver um garoto como esse, nativo, não um índio, impossível ser um índio, mas o garoto chega muito perto disso, com seu convívio natural e seu jeito de ser. Longe dos videogames,computadores e influências de televisão e ilusões feitas por programas totalmente comerciais para alienar nossas crianças de hoje. Crianças que ao ver todas essas ilusões e a realidade de seus pais, se comportarem como legítimos “revoltados modernos”. O nosso curupira longe disso tudo não consegue perder 10 minutos vendo tv, mas ganha horas e horas andando descalço e realmente vivendo a natureza dos bichos e ele não é selvagem, ele só vive como quer e o bom desse convívio de que ele pode passar um pouco do que é viver de verdade para seus pequenos e poucos amigos. Quem sabe essas crianças no lugar de ridicularizarem o “garoto-da-roça”, passam a admirar seu modo de viver e ver as coisas, um modo natural e com os olhos de falcão vendo agora o mundo fora de seus matos e terras. Ele se sente com nostalgia do mundo, mesmo muito criança ele já entende que o verdadeiro viver é o dele e quando vai chegando o horário de ir embora seu sorriso vai florescendo e seus tênis desamarrando, logo ele estará junto de seus animais e respirando o ar que todos precisam. Simples ele tem mais vida do que todos nós.
_____________________________________________________________________________

Faz alguns dias que não posto. Não é falta de idéias, juro.
Esse final de semana eu fui ao rancho e esse texto foi inspirado em um garoto que mora lá perto.
90% do texto é verdadeiro e o restante são idéias e ficções minhas.

2 comentários:

luisa disse...

Ele que é feliz mesmo =/


Adorei e vê se não some mais no final de semanaaa!! :P

Beeijo

pauane disse...

Verdade. não some não